O olhar da inovação

28 de May de 2013

Olhar o mundo pelos olhos de uma criança. Esse é um dos pontos que formam um bom inovador. Ter a capacidade de olhar tudo a sua volta como se fosse pela primeira vez, questionando cada etapa e não julgando.

A inovação requer esse olhar de estranhamento. Por isso, quando ficamos sabendo do projeto do professor colombiano Javier Naranjo, nos encantamos.

 

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Durante 10 anos, o professor anotou as “pérolas” ditas pelos seus alunos – crianças de diferentes escolas do estado de  Antioquía, região rural do leste da Colômbia. O resultado foi compilado no livro Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, com um dicionário com cerca de 500 definições para 133 palavras, de A a Z,  muito presentes no dia-a-dia Colombiano, como Guerra, Violência, e Paz.

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O livro, que teve sua primeira versão lançada em 1999 e foi reeditado em 2005 e 2009, foi o grande sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá, que aconteceu em Abril deste ano.

O trabalho de Javier começou quando ele pediu para que seus alunos, em uma atividade para celebrar o dia das crianças, definissem a palavra Criança. “Me lembro de uma definição que era: ‘uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo’. Eu adorei, me pareceu perfeita”, disse Javier em entrevista a BBC Mundo. E foi assim que ele começou a estimular trabalhos deste tipo, desenvolvendo  (e admirando) a percepção pura, lógica e tão cheia de realidade destas crianças.

O grande segredo para o sucesso do livro é que ele mantém a voz das crianças, com sua visão particular do mundo para explicar as coisas e suas construções gramaticais típicas seguindo o jeito dos pequenos de pensar. Naranjo corrigiu apenas a pontuação e a ortografia dos verbetes escolhidos, sem tirar ou alterar uma única palavra das expressões originais. “Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos”, afirmou o professor.

 

crianças

 

Ler as definições do ponto de vista das crianças, trazem muitas reflexões para os processos de inovação.

O primeiro ponto, é de se colocar no lugar do outro, para ver como ele enxerga determinada situação. Quando analisamos as definições das crianças, podemos perceber como elas estão enxergando as coisas, e como as coisas estão sendo passadas paras esses pequenos. Por exemplo, na definição “Deus: É o amor com cabelo grande e poderes”  por Ana Milena Hurtado, de 5 anos, fica claro quais são os valores e as imagem que a pequena Ana percebe sobre este assunto.

Outro ponto importante para levarmos como aprendizado é a capacidade de olhar o mundo com simplicidade, e com o olhar de quem vê as coisas pela primeira vez. O design nos faz sempre refletir em formas de facilitar a vida dos usuários, ser intuitivo e falar uma linguagem universal. É o bom e velho “Keep it simple. Make it easy”. Como exemplo fica a simplicidade na definição “Branco: O branco é uma cor que não pinta” por Jonathan Ramírez, de 11 anos.

Para mais verbetes, veja a matéria do Catraca Livre. ;)

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