Um Ciborgue na Campus Party!

8 de February de 2012

“Eu passei a enxergar as cores. Até o dia em que eu sonhei colorido, com sons eletrônicos que eram cores. A partir daí, eu entendi o que é ser um ciborgue, que é o momento no qual a pessoa  não consegue mais diferenciar os sinais do software dos emitidos pelo meu cérebro.”

Não, esta não é uma frase tirada de algum livro de ficção científica, nem a fala de algum personagem de um filme futurista. Esta frase é um depoimento real do homem considerado, oficialmente, o primeiro ciborgue no mundo.

O cara em questão é o britânico Neil Harbisson que foi a sensação do segundo dia de Campus Party. Afinal, não é todo dia que você esbarra com um ciborgue por aí, não é mesmo?!

A história de Neil começou em 1982, quando ele nasceu com uma deficiência visual chamada de acromatopsia e que o fazia ver o mundo como uma televisão antiga: tudo em P&B (preto e branco).

“Não ver cores realmente marginaliza você. Era impossível para uma pessoa como eu entender o que é o Greenpeace, as páginas amarelas, a Cruz Vermelha ou o Pink Floyd.  Isso me levou a buscar alternativas para descobrir as cores. No início, tudo o que fiz foi estudar artes visuais, ainda que eu só pudesse ver escalas de cinzas”, disse Neil que hoje é artista visual e compositor.

Sua jornada começou na busca por soluções para driblar o problema visual e acabou na criação do chamado eyeborg, um aparelho que ele inventou em 2003, junto do cientista Adam Montandon, e que traduz as cores em ondas sonoras.

“Em março de 2004, pela primeira vez na vida, eu percebi as cores por meio dos sons”, disse Neil.

Na versão mais atual (mais leve e já acoplada diretamente no crânio), Neil carrega o olho biônico que se parece com uma webcam e que identifica as cores a sua frente e envia para seu cérebro onde seu sistema nervoso criou uma nova rede neural para interação com o aparelho, transformando essas cores em frequências sonoras. A partir dessas frequências o cérebro desenvolveu uma habilidade para identificar tonalidades e níveis de saturação, onde os mais altos emitem níveis de volume mais altos e vice-versa.

Mas como toda inovação encontra barreiras e burocracias, com Neil não foi diferente. Ele encontrou dificuldades no momento de renovar seu passaporte já que queria ser fotografado com o eyeborg. Depois de atestados médicos, depoimentos de amigos, e semanas de lutas, Neil conseguiu ter o passaporte aprovado e ser reconhecido oficialmente perante o governo como um ciborgue. Segundo ele, o que o torna um ciborgue não é a união entre o eyeborg e sua cabeça, mas sim a união entre o software e o seu cérebro.

Em 2010, ele resolveu criar a Cyborg Foundation, uma fundação para ajudar pessoas que, como ele, também precisam ter direitos reconhecidos, como por exemplo, o direito de entrar em um cinema com uma câmera na cabeça.

E se você achava que essas coisas de ciborgues, partes biônicas e cérebros ligados à softwares eram coisas de ficção científica ou previsão futurista, deveria dar um pulinho na Campus Party porque isso é só uma amostra das coisas incríveis que  estão rolando!!!! Quem sabe, se você tiver sorte, pode esbarrar com o Neil por lá e pedir para tirar uma fotinho pra postar no Face! =) #CPBR5

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Comentários

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  • […] (ou não), deixando nossas imaginações borbulharem de ideias e pensamentos.  Já falamos sobre o Neil Harbisson, Michio Kaku, Neil deGrasse Tyson, Sugata Mitra, … e hoje é a vez de Miguel […]

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