Edição Especial | Fim do mundo, Natal, e Ano Novo!

25 de December de 2012

Há alguns meses, uma amiga (a Thaisinha) veio almoçar aqui na casinha para colocarmos o papo em dia e me contar sobre os projetos em que está envolvida. Nessa conversa, ela mencionou várias vezes uma pessoa que foi a inspiração pela mudança de direção na sua vida e pela sua nova busca de construir um mundo melhor. Ela falou com tanta paixão de seus projetos e dessa figura, que eu tinha que conhecê-lo. E foi o que fiz, marquei um café e um bate-papo para conhecer um jovem que tem feito (micro)revoluções por aí: André Gravatá.

Foram mais de duas horas de conversa gravadas, que já ouvi várias vezes tentando pensar em como escrever sobre esse encontro, garantindo que toda a energia e toda a vida que o André esbanja pudessem ser passados em palavras. Já escrevi este texto e apaguei diversas vezes em busca do tom ideal, do momento certo. Mas hoje, dia de Natal, logo após alguns dias do tão comentado possível fim do mundo (21 de Dezembro de 2012), me peguei refletindo sobre a frase que mais ouvi durante essas últimas semanas acerca deste assunto (o fim do mundo): “o problema não é o mundo acabar, mas sim ele continuar como está!”.

O mundo não acabou e nenhuma grande catástrofe capaz de mobilizar e transformar a vida das pessoas ocorreu. Quer dizer que o mundo vai continuar como está? Lembrando de tudo que ouvi do André em nossa conversa, e de toda a paixão e energia de movimento que ele despertou na Thaisinha, hoje, eu tenho a certeza de que não, o mundo não vai continuar como está. São pessoas como o André que estão multiplicando seu poder de transformação através de pessoas como a Thaisinha, catalisadoras dessa vontade de mudar o mundo em que vivemos para melhor. E esse mundo não precisa ser o mundo inteiro, pode começar com o seu mundo, sua casa, seu prédio, seu bairro, sua cidade. É esse poder das microrrevoluções que aprendi nessa conversa com o André e que quero contar agora a vocês os principais pontos para conhecerem um pouquinho sobre esse jovem jornalista, de apenas 22 anos, que já tem transformado muitas pessoas por aí.

ANDRÉ GRAVATÁ

andré gravatá

O jeito mais fácil de começar a falar quem é o André, acredito que seja falando um pouco sobre os projetos com os quais está envolvido (e são vários):

– Projeto Educ.Ação: o projeto que começou em uma tarde de sábado, em Janeiro deste ano (2012), a partir da vontade de um grupo de pessoas de mostrar como é possível inovar na forma de educação para inspirar pais, mestres e alunos a buscarem uma forma alternativa ao modelo tradicional de educação. Já contou com uma ação de incentivo no Catarse, e está caminhando para o seu primeiro ano de vida. A ideia principal é visitar 12 escolas com modelos inovadores de educação e transformar essa jornada no livro “Volta ao Mundo em 12 Escolas”. Através do blog do projeto é possível acompanhar as visitas que já foram feitas. O André é um dos participantes deste projeto que tem sido o seu grande foco nos últimos meses.

andre e sir kevin

TEDx: o André foi o responsável pela realização do TEDxJovem@Ibira com o tema microrrevoluções. Pelo vídeo abaixo dá pra sentir a energia deste dia que contou com projetos de grande inspiração que trouxeram exemplos de mudanças que estão sendo realizadas. O André também  ajudou na organização do TEDxAmazônia que aconteceu em Novembro/2010. Já palestrou nos TEDxCanoas e                      TEDxLuz.  E para o próximo ano, ele está envolvido na organização dos TEDxJovem@RuaAugusta (Fevereiro) e o TEDxSéED (Abril). Ufa! (acompanhe a programação dos TEDx que rolam no mundo aqui)

 

[youtube=http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=M3dMUhtUsWY]

 

– Doutorado Informal: projeto pessoal de educação independente/interdependente onde ele se propôs, durante  o ano de 2012 e ao longo dos próximos dois anos, desenvolver uma pesquisa sistemática, com a ajuda de tutores que são escolhidos por ele e com quem ele conversa esporadicamente. A ideia é que ao final do processo uma banca seja escolhida por enquete online para avaliar o resultado da pesquisa. Dá para acompanhar a jornada desse projeto no blog Doutorado Informal.

– Jovem Ponte: se lembram daquela pesquisa incrível da nossa queridinha Box1824 sobre os jovens brasileiros? Já falamos dela aqui. Pois bem, o André foi um dos jovens que participou da pesquisa e foi chamado de Jovem Ponte. Hoje o André é convidado pela Box1824 para apresentar o resultado da pesquisa por todo o Brasil.

– Freelas: além do seu trabalho na Via Gutemberg, é possível encontrar vários textos do André perdidos por aí. Ele escreve esporadicamente para a Vida Simples, SuperInteressante, e em projetos específicos como foi o projeto Cyan, da Ambev.

O André já participou de muitas outras iniciativas além das listadas acima, e sua energia e vocação para mudar as coisas não deixam com que ele pare, movendo-o em direção à várias iniciativas simultâneas que se enquadram dentro das chamadas microrrevoluções (um termo bem difundido por ele).

Segundo o próprio André, quando perguntamos a ele o que seria uma microrrevolução ele nos explicou que “é uma ação que causa impacto para as pessoas ao redor e que é significativa para todos os envolvidos, e  nasce de uma demanda que é local, que tem a ver com uma história. Tem o micro na palavra mas ao mesmo tempo ela é macro, porque é macro para as pessoas que estão vivenciando, que estão experimentando esta ação.”

Em uma matéria que escreveu e protagonizou, publicada na revista Vida Simples, em 07/2011, André provoca as pessoas com uma pergunta: “dá pra mudar o mundo na hora do almoço?” (leia matéria completa) Essa matéria dá o tom do que podem ser microrrevoluções e como é possível, sim, transformarmos o nosso mundo.

Esses projetos, iniciativas e oportunidades não foram simplesmente acontecendo e surgindo ao acaso. Quando vamos conhecendo a história do André e de onde vem tanta energia, percebemos que todos os projetos que ocorreram na sua vida, desde o primeiro estágio até a participação no TEDxAmazônia, foram frutos de muita persistência.

Querem um exemplo? O André passou 3 anos mandando emails para um editor da Superinteressante argumentando porque deveriam publicar seus textos. Com o pessoal que estava organizando o TEDxAmazônia foi a mesma coisa: ele mandava emails com sugestões de vários nomes de palestrantes, marcava almoços com os organizadores para apresentar os palestrantes que havia pesquisado, até que um dos palestrantes proposto por ele chamou atenção da organização e aí incluíram o André no time para que pudesse fazer a cobertura do evento e auxiliar na organização. Quase todos os projetos nos quais o André se envolveu passaram pelo período de trabalhar de graça, enviar seu trabalho sem nenhum compromisso, emails buscando contatos e contando sua história e seus sonhos. Sabem aquele ditado “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”?! O André é a personificação deste ditado.

andré gravatá

Foi durante a infância humilde, na periferia de Embu das Artes, que ele percebeu que se queria mais do mundo teria que buscar mais. E essa busca começou com cartas que escrevia para outras crianças e jovens, que encontrava o endereço no final dos gibis que lia. Depois dos contatos dos gibis (os quais até hoje se corresponde com alguns), ele descobriu as rádios para telefonar do orelhão e ter um espaço para falar e ser ouvido; depois das rádios ele descobriu o 0800 das empresas e que dali poderiam vir pelo correio catálogos de produtos, amostras grátis, brindes, receitas (ele já recebeu até um tijolo pelo correio!); aí aos 15 anos, com a chegada da internet discada em sua casa, André aprimorou de vez seu dom da comunicação e desbravamento do mundo e participava de todas as promoções que encontrava na rede e mandava emails para vários lugares. Das promoções, André ganhou muitas coisas que variavam de par de ingressos para o cinema até uma viagem para a Disney que não aconteceu pois sua mãe não quis viajar. Ufa. Deu pra perceber que o André não foi uma criança/adolescente comum.

Das tardes e tardes escrevendo cartas e ligando para rádios e SACs, André tirou uma grande lição “falando com todas essas pessoas, de alguma forma, eu comecei a perceber como o mundo tinha outras nuances, tinha outros espaços que até então eu não conhecia”, e das promoções, brindes e amostras, ele diz “eu não tenho as coisas então eu descubro maneiras de fazer, não só coisas mas com que pessoas e conversas surjam para eu conhecer o que está acontecendo”.

As duas horas de conversa com André nos rendeu muita informação, e essa é só uma parte da história. Depois veio a faculdade de Jornalismo, o estágio, e os vários projetos que foram surgindo.

Conversar com esse jovem de sorriso fácil e muitas histórias para contar é uma overdose de motivação para embarcar nessa onda de microrrevoluções e fazer do mundo um lugar melhor. Por isso, contar a conversa com André agora é nosso presente para vocês de Natal, Ano Novo e, porque não, Mundo Novo? Não é porque nada aconteceu no último 21/12, que não podemos fazer acontecer hoje para um mundo novo e melhor. E aí? Já (micro)revolucionou hoje? :)

mudança

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Sobre o Autor: Tatiane Carrelli

Publicitária, especialista em Inovação e Criatividade. Quebrou algumas regras na 3M, na Whirlpool, e no Banco Itaú. Então decidiu quebrar regras por aí e criou a Take a Tip, consultoria da qual é sócia hoje. No meio do caminho descobriu uma vocação (Professora na ESPM), um hobby (aprendiz de fotógrafa) e um esporte (Rodrigo Pessoa, que se cuide!).

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